Tinha lido que na prisão se perde a noção do tempo. Mas, para mim, isto não fazia sentido. Não compreendera ainda até que ponto os dias podiam ser, ao mesmo tempo, curtos e longos. Longos para viver, sem dúvida, mas de tal modos distendidos que acabavam por se sobrepor uns aos outros e por perder o nome. As palavras ontem ou amanhã eram as únicas que conservavam sentido.
- Albert Camus, O Estrangeiro