domingo, 19 de outubro de 2008

O Nobel




O artigo que Vasco Pulido Valente publicou hoje no Público parece-me o melhor resumo do pensamento do Nobel da Literatura nacional. Eis um excerto:

Para Saramago, a crise é um "crime contra a humanidade" tal qual como o genocídio, o etnocídio, os campos de morte, a tortura, o assassinato selectivo, a fome deliberadamente provocada, a poluição maciça ou a humilhação como método repressivo da identidade da vítima. Não vale a pena comentar esta lista, de que Lenine, lá no Céu de Saramago, com certeza não gostou. Basta perceber que na cabeça deste pensador não há diferença entre Auschwitz e o subprime ou entre o Gulag e a falência de um banco em Nova Iorque E, como não há diferença, o homem quer castigos.

Este Estalinismo, aliado a um relativismo moral que não dá espaço a grandes liberdades individuais, é precisamente aquilo que mais me aflige quando pego num dos romances de Saramago.