segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Vida breve
Aos doze anos, o rapaz sonhava com profissões de luxo. Queria ser piloto de avião. Como a avó o considerava o mais belo moço do quarteirão, também alimentava a esperança de possuir as mais lindas mulheres do planeta. Aos catorze, com os primeiros pêlos de barba a chocarem-lhe contra as borbulhas da cara, o rapaz mantinha ainda uma certa esperança de vir a encontrar pelo menos uma linda mulher que com ele se quisesse casar. Por outro lado, as notas razoáveis na escola davam-lhe alento para continuar a alimentar a esperança de o futuro lhe vir a trazer uma boa carreira profissional. Aos dezanove anos, o rapaz levou uma mulher para a cama. Fez-lhe o que quis e tratou-a por «meu amor». Um anos depois, apareceu a primeira reprovação escolar e o primeiro fracasso amoroso. Aos vinte e um, voltou a apaixonar-se e começou a frequentar um curso numa universidade de fraca patente. Ainda com essa idade, o rapaz viu a namorada enfiar a língua na boca de outro homem. A partir daí, começou a odiá-la e a odiar-se por sentir amor por uma pêga. Aos vinte e dois anos, ainda a sofrer do coração, o rapaz enforcou-se dentro de uma casa-de-banho pública.