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quarta-feira, 2 de abril de 2008

L'Aveau (1970), Costa Gravas

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Mandar no Sol

- Os mais velhos, talvez - replicou o capitão. - Mas esses já estão ultrapassados. Recentemente, foi publicado um decreto que determina que o Sol apenas está no zénite à uma hora.

- Quem mandou publicar esse decreto?

- O Governo soviético.


- Aleksandr Isaevich Solzhenitsyn, Um Dia na Vida de Ivan Denisovich

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Amor incondicional

Uma jovem nascida em Leninegrado, boa estudante universitária, fora destacada para uma cidade do Uzbequistão. Fernando Namora perguntou à menina se aquela colocação não lhe parecia exílio. Ela, espantadíssima, referiu:

«O saber que sou aqui precisa e me acharam digna desta missão faz-me sentir realizada» (URSS mal amada, bem amada)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Joseph Brodsky

Brodsky foi o primeiro perseguido e depois detido. A acusação era de «parasitismo»: como Brodsky não era um poeta licenciado pela União de Escritores, era classificado como pária. No seu julgamento em Fevereiro de 1964, o Estado apresentou testemunhas, na sua maioria desconhecidos de Brodsky, que atestam que ele é «moralmente depravado, um plagiador, e autor de versos anti-soviéticos».


- Anne Applebaum, Gulag: Uma História

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Nota sobre apagamento

Em comparação com o núcleo comunista português, Fernando Namora poderia ser considerado um autor desapegado de ideologia política. Comparativamente com Até Amanhã Camaradas, os romances do escritor-médico são neutros, isentos. Em A arte, o artista e a sociedade, Cunhal critica, precisamente, essa falta de rigidez de Fernando Namora. Refere Álvaro Cunhal que, no romance A Noite e a Madrugada, o escritor, «pela boca dos vários personagens descarrega a caracterização que de Clemente fazem os trabalhadores e os camponeses» Vadio, mentiroso, traste, valdevinos, palhaço e miserável são alguns dos nomes usados. De seguida, Cunhal conclui que se trata de uma «grosseira retratação, uma agressão política preconceituosa e gratuita. Ora, ao escrever estas palavras sobre a ficção do autor de O Trigo e o Joio, Cunhal parte do pressuposto de que um escritor não tem liberdade para caracterizar cada uma das suas personagens da forma que mais lhe aprouver. Além disso, Cunhal mais não está a fazer do que censurar um autor que não cumpre as regras pré-estabelecidas pelo centro, isto é, por quem manda em termos ideológicos. À semelhança do intelectual comunista português, também Estaline manteve o hábito de censurar e de apagar aqueles que não seguissem a «linha dura» por si estabelecida.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Estalinismo 2

«Os anos de luta e de disciplina nas fileiras do Partido e toda a nossa educação anterior ensinaram-nos que ele nunca se engana e que a U.R.S.S. tem sempre razão.»

- Arthur London, A Confissão

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Estalinismo 1



- P. Picasso, O Massacre na Coreia (1951)