O dia correra mal a Adam. No escritório, o patrão dissera-lhe que nunca deveria ter concluído o curso de Direito. Em casa, discutira com a mulher, ao ponto de lhe ter partido a cana do nariz com um murro. No café, fora gozado e apelidado de corno por vizinhos e amigos. Nas ruas, fora assaltado por um homem necessitado de uma dose de heroína.
Aos trinta e três anos, com a juventude a esfumar-se-lhe por entre os dedos, Adam não conseguia retirar grande prazer da vida. Fizera filhos porque também os seus pais os haviam feito, casara porque toda a gente à sua volta costumava casar. Mas não encontrava verdadeiras razões para acordar todas as manhãs. Adam só não se suicidava por ser cobarde, por ter medo daquilo que lhe poderia acontecer depois de cortar as veias dos pulsos.