
O soldado põe-se de pé e dá os primeiros passos no longo caminho que o deve levar para casa. É loucura julgar que o desejo poderá ser maior do que desastres como a ferida, a doença ou o disparo da arma. Não pode a ratazana fugir depois de ter sido engolida pela anaconda. Mas a vontade é grande, aumenta a cada passo dado. «Estou a chegar…», diz. Sob o Sol que domina a manhã, movimenta-se a máquina pesada, a ave sem asas, querendo realizar uma das poucas utopias plausíveis para um condenado: a salvação. Ainda que a parede que separa o indivíduo da liberdade tenha quilómetros e mais quilómetros de altura, ele aguentará firme, fervoroso, de dentes cerrados.
O soldado tropeça, cai, rebola, volta a levantar-se, grita para que a força não se deixe levar pela derrota, volta a tombar, arrasta-se e pensa: «Estou a chegar…» Vêm palavras divinas: «Abre os olhos e vê.»
Legítima ambição, a de recusar a desistência, principalmente no momento em que a vitalidade regressa ao tronco de madeira que se julgava apodrecido pelo Inverno. A ilusão não se extingue enquanto houver líquido quente a correr dentro das veias
O soldado tropeça, cai, rebola, volta a levantar-se, grita para que a força não se deixe levar pela derrota, volta a tombar, arrasta-se e pensa: «Estou a chegar…» Vêm palavras divinas: «Abre os olhos e vê.»
Legítima ambição, a de recusar a desistência, principalmente no momento em que a vitalidade regressa ao tronco de madeira que se julgava apodrecido pelo Inverno. A ilusão não se extingue enquanto houver líquido quente a correr dentro das veias