Dói, dói muito, ser chinês, querer subir a montanha e não conseguir, não ter força suficiente para esmagar com potência as incertezas provocadas pela natureza. Estar longe, muito longe, tão longe, e não ter o jeito para atravessar a montanha sem ser com a vista. Quero sair daqui, peço com toda a veemência: se alguém me estiver a ouvir, tu, meu Deus, meu castigador, meu mais que tudo, se me ouves, se para ti valho alguma coisa, por favor, imploro-te, rogo-te, ordeno-te, tira-me daqui, tira-me deste pântano, desta miséria, livra-me do mal, de todo o mal, meu patrono, meu dono, meu senhor, livra-me dos meus males, dos meus pecados, das minhas angústias, da minha parvoíce, do nojo que sou, livra-me da peçonha que criei em mim e que se não descola por nada, peço-te com muito fervor, peço-te com toda a fé, salva-me, manda um anjo e salva-me, não me deixes morrer aqui. Eu, pobre pateta, alarve, imbecil, ignorante, imploro-te de joelhos: pára de me impor castigos, deixa de me humilhar. Os meus pecados foram lavados. Diz. Perdoa-me, se é de perdão que preciso. Desce a mim e diz que a minha parte negra foi expurgada, que estou livre, que posso acordar e ser feliz.