Oh, I'm sailin' away my own true love,
I'm sailin' away in the morning.
Is there something I can send you from across the sea,
From the place that I'll be landing?
No, there's nothin' you can send me, my own true love,
There's nothin' I wish to be ownin'.
Just carry yourself back to me unspoiled,
From across that lonesome ocean.
O tempo não passa sem ti. Caem estátuas, prédios, montanhas, e eu permaneço no mesmo posto de sempre, à escuta, a apalpar terreno, para que regresses, para que voltes ao local de onde nunca deverias ter saído. Todos perguntam por ti. A tua mãe quer ler as tuas cartas, o teu pai anda com umas olheiras que dão dó e mal come. No outro dia, vi um soldado que voltou incapacitado para casa. Perguntei-lhe por ti: não te conhece. Melhor isso do que dizer que te viu morrer. Quem te dará protecção nessa terra distante? Vejo a desgraça espalhada por todo o lado. Durmo com a luz do candeeiro acesa para que não me apareças desfigurado nos pesadelos. Às vezes, tento não adormecer. Passo noites em branco com medo de que o telefone toque, que alguém me bata à porta para entregar as más notícias. Quando me entrego ao sono, vejo muitos fantasmas. Não sei se virás. Essa incerteza remói-me tanto que não me imagino a viver os dias de forma normal, despreocupada. Ganhei uma gastrite, deverias ter visto o médico a afirmar muito categoricamente: «Você tem uma inflamação da mucosa estomacal.» Ri a pensar que sorririas se cá estivesses. Leio os livros que guardam os teus sublinhados, as tuas anotações, escuto as tuas músicas, frequento os sítios que frequentavas. Sinto a tua presença em tudo. O meu erro foi ter-te deixado partir. Os segundos passam e eu conto-os a todos, sei-os de cor, não preciso de olhar para o relógio para saber que um ponteiro aponta para as cinco horas, outro para os trinta minutos e outro para os doze segundos. Agora sei que, mesmo que me quisesse separar de ti, esquecer-te, encontrar outro homem, não poderia. Amarraste-me com uma corda. Por isso, sobrevive.