domingo, 18 de abril de 2010

Não me queres ver

Não me queres ver, dizes tu, foi bom enquanto durou, segue cada um o seu caminho, blá, blá. A tua vontade pouco me interessa. Segui-te esta manhã. Vi-te no café com as amigas. As piadas parolas das amigas. O teu sorriso fútil. Vi-te entrar no trabalho. Um careca piscou-te o olho e eu poderia ter-lhe desfeito uma garrafa na testa. Esperei pela hora da saída. Vou a dez metro de ti e não me vês. Os teu passos largam o teu perfume, sinto-o mesmo aqui nos pelinhos do nariz. Não há nada para além de nós. Rasgo-te a saia e tu pedes não, por favor, entende que acabou e que só podemos ser amigos. Claro que podemos ser amigos, digo-te eu, desde que me possa satisfazer contigo. Uma espécie de irmão eunuco, desde que me apareças despida.