segunda-feira, 10 de maio de 2010

Estilo - proferir a ofensa, responder ao tiro



Veja-se como Vasco Pulido Valente conta como Paiva Couceiro foi preso no dia 25 de Junho de 1881, o mesmo em que foi promovido a alferes:

Na véspera à noite tinha disparado cinco tiros com uma pistola de guerra Abadie contra um tal Luís Leon de la Torre Faria. Três dos tiros acertaram no homem, que esteve 42 dias «doente». Em Outubro, Couceiro respondeu em conselho de guerra pelo crime de «homicídio frustrado» e «uso de arma proibida». No conselho de guerra ficou satisfatoriamente estabelecido que o réu não conhecia a vítima nem antes houvera entre eles «altercação ou conflito». De acordo com o que se apurou, tudo se resumira ao seguinte: o «agredido roçara pelo ombro do réu» no Chiado, proferindo uma frase «injuriosa e ofensiva» para a «dignidade» dele: «desvairado pelo insulto», Couceiro dera-lhe imediatamente cinco tiros.

Curioso que este excerto, tirado de uma das primeiras páginas (p.14) de Um Herói Português: Henrique Paiva Couceiro (1861-1944), poderia servir de padrão para quase todas as atitudes tomadas por Couceiro ao longo sua vida. Sendo isso que VPV nos leva a crer, pode-se dizer que este é um bom exemplo de como um autor de um livro de história (é chato dizer historiador) pode, através de um estilo, criar uma personagem e analisá-la do modo que mais lhe agrada.