domingo, 30 de maio de 2010

Queda, caio

Queda, cair, caio, rebolo no meio dos calhaus. Dores nas costas, nos joelhos, na nuca. Rebolo nas pedras. Demasiado mundo nos meus olhos fracos. Demasiado mundo. Expurgar o caos. Rebolar durante o tempo necessário para deixar o caos sair. O pânico transformado em soluço e em desilusão e em calma. Chorar o que houver para chorar. Esgotar o arsenal. Amontoo um conjunto de calhaus e sento-me, contemplo o dedo martelado (pena do dedo e de mim próprio), mais uma lágrima em honra da minha miséria. Tenho um buraco no lugar do coração. Chama-se infelicidade. Um buraco do qual não me sei livrar. Suplico-lhe, vai-te embora, infelicidade, tento expulsá-la com murros que me enchem de nódoas negras, sai, infelicidade.