terça-feira, 11 de março de 2008

Ballard



Filho de Deus
talvez seja o melhor livro de Cormac McCarthy. No entanto, será um acto de futilidade aplicar a palavra «melhor» à obra de um autor que ainda pouco li. Aqui fica um excerto:

O seu corpo foi expedido para a escola médica estadual em Memphis. Uma vez aí, numa divisão da cave, foi conservado em formalina e colocado junto de outras pessoas falecidas recém-chegadas. Foi estendido numa laje e esfolado, eviscerado, dissecado. A cabeça foi-lhe aberta com uma serra e os miolos removidos. Os músculos foram-lhe arrancados da carne. O coração foi-lhe retirado. As entranhas foram-lhe extraídas e esticadas e os quatro jovens estudantes que se curvaram sobre ele como aqueles arúspices de antanho viram talvez nas suas configurações monstros ainda piores dos que estão para vir. Ao fim de três meses, quando as aulas da cadeira terminaram, Ballard foi raspado da mesa para um saco de plástico e levado com outros do mesmo género para um cemitério no exterior da cidade e aí enterrado. Um sacerdote da universidade celebrou um ofício muito simples.