Acabo de publicar um texto sobre Another Country, de James Baldwin, no Orgia Literária.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O medicamento
Aquecimento
Solução rápida
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Que queres, fantasma?
I don't know
If I'm sane
But there's a ghost
In my heart
That's trying
To see in the dark
- Beck, Volcano
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Ser mãe
A favor
domingo, 22 de fevereiro de 2009
A rápida faz-se lenta
O lento faz-se rápido
Entrar no romance
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Loucos de Lisboa
Procura da cura
Hysterical Search for the Miraculous Cure
(in Anatomy Lesson)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Boots of Spanish Leather
Oh, I'm sailin' away my own true love,
I'm sailin' away in the morning.
Is there something I can send you from across the sea,
From the place that I'll be landing?
No, there's nothin' you can send me, my own true love,
There's nothin' I wish to be ownin'.
Just carry yourself back to me unspoiled,
From across that lonesome ocean.
O tempo não passa sem ti. Caem estátuas, prédios, montanhas, e eu permaneço no mesmo posto de sempre, à escuta, a apalpar terreno, para que regresses, para que voltes ao local de onde nunca deverias ter saído. Todos perguntam por ti. A tua mãe quer ler as tuas cartas, o teu pai anda com umas olheiras que dão dó e mal come. No outro dia, vi um soldado que voltou incapacitado para casa. Perguntei-lhe por ti: não te conhece. Melhor isso do que dizer que te viu morrer. Quem te dará protecção nessa terra distante? Vejo a desgraça espalhada por todo o lado. Durmo com a luz do candeeiro acesa para que não me apareças desfigurado nos pesadelos. Às vezes, tento não adormecer. Passo noites em branco com medo de que o telefone toque, que alguém me bata à porta para entregar as más notícias. Quando me entrego ao sono, vejo muitos fantasmas. Não sei se virás. Essa incerteza remói-me tanto que não me imagino a viver os dias de forma normal, despreocupada. Ganhei uma gastrite, deverias ter visto o médico a afirmar muito categoricamente: «Você tem uma inflamação da mucosa estomacal.» Ri a pensar que sorririas se cá estivesses. Leio os livros que guardam os teus sublinhados, as tuas anotações, escuto as tuas músicas, frequento os sítios que frequentavas. Sinto a tua presença em tudo. O meu erro foi ter-te deixado partir. Os segundos passam e eu conto-os a todos, sei-os de cor, não preciso de olhar para o relógio para saber que um ponteiro aponta para as cinco horas, outro para os trinta minutos e outro para os doze segundos. Agora sei que, mesmo que me quisesse separar de ti, esquecer-te, encontrar outro homem, não poderia. Amarraste-me com uma corda. Por isso, sobrevive.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Harry Angstrom
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Harry Coelho Angstrom
- John Updike, Corre, Coelho
As Finas
Abdicação
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Relva
Boomerang
Infiltrado
sábado, 14 de fevereiro de 2009
O sol
Queimar etapas
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Mudar de planeta
Irreversível
Não apagar
Descansa em paz
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Nietzsche 2
Explicação para o encolhimento
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
A vénia
Maybe we're just too proud
To say it out loud
Silence is here again tonight
- Tindersticks, Raindrops
A dor passará, claro que sim, como todos os sonhos, como toda a beleza que se descola da cara da jovem, tudo passará, sim, a dor acabará. A ânsia para que isso aconteça é muita. Já não se sabe viver sem o tijolo a rachar a cabeça ou sem o prego espetado no calcanhar. Dá sempre vontade de fazer as malas e de estar em Nova Iorque ou numa cidade como esta, onde o coração não se aperta por causa da pobreza, da desgraça, do lixo, da infelicidade dos outros, da minha tristeza, ai a tristeza que não se esgota, não desaparece, não deixa os lábios sorrirem de contentamento infantil. Anda jogar ao berlinde, fazemos as barrocas e atira lá com um dos teus truques. O sorriso não vem. Os amigos desapareceram, fizeram filhos, casaram. A idade bate à porta de todos, pois é, a ruga não sai. Faz uma vénia ao tempo que passa, faz, humilha-te perante o teu próprio fracasso, abraça-te a um amigo e chora, diz que o desespero é grande, que não dá para viver assim, insuportável viver desta maneira ridícula. Que vida, que vida, senhores, num mundo de ignorantes e de imbecis, de tarados cruéis e de nojentos e de pobres e de peçonhentos. Quebra, bate no chão, bate, quebra-te, patife, és de vidro, todos vêem menos tu, tira os óculos que não te servem para nada. Respira fundo, já bateste no chão. Doeu muito. Deveras. Ai se não doeu. Os dedos ardem sempre que tocam na superfície da realidade. E depois ficas feio quando choras. Feio como um elefante a morrer no meio do deserto, como um bêbedo desdentado no meio da rua, como a prostituta que geme pela nota que sustentará um menino de seis anos. Curva-te perante a inevitabilidade da queda, da dor e da morte, curva-te e beija a mãos dos senhores. Parabéns, venceu, agora retiras-te e cais para o lado, adormeces, dizes adeus a tudo, adeus, adeus, que não volto. Vais no avião, acenas com a mão, mas estás a voltar, não a partir, que nojo, que raiva, querias partir para sempre, mas estás a regressar, a mergulhar de cabeça na poça de lama. Vê se te lavas depois dos jogos terem terminado e come a sopa, a sopinha, come-a toda, bebé, que a mãe não volta, adormece no regaço da avó que já não está, do pai que fugiu, das mulheres que não te querem, dos amigos que te matam, de tudo o que está aqui e que arde, arde, explode.

