segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Derrotar o forte desaparecendo
- Philip Roth, Sabbath's Theater
Regra da sedução
The core of seduction is persistence. Persistence, the Jesuit ideal. Eighty percent of women will yield under tremendous pressure.
domingo, 30 de agosto de 2009
Adolescente
sábado, 29 de agosto de 2009
Sofá
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Artigo meu no Jornal de Letras
Uma casa na escuridão

O príncipe de calicatri abraçou-me e, quando se afastou, reparei que tinha uma mancha de sangue na camisa. Perguntei-lhe, pedi que me mostrasse. Levantou devagar a camisa e, no lugar do coração, tinha um buraco de vermelho vivo. O príncipe de calicatri não tinha coração e, nesse buraco cavado no peito, estava uma ausência muito grande.
- José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Coragem
Defensor do mercado

Se pudesse, o bicho acenderia uma fogueira muito grande e atiraria lá para dentro metade dos livros que encontra nas livrarias. Isto é o que pensa nos dias em que se esquece de ser um defensor do capitalismo, do mercado e do dinheiro.
Pensamento no restaurante
O cansaço
terça-feira, 25 de agosto de 2009
O Mundo de Ruben A. - fotobiografia

Liberto Cruz, José Brandão e Nicolau Andresen Leitão, O Mundo de Ruben A., Lisboa, Assírio & Alvim, 1996
Horror a adolescentes
Leitura-relâmpago, olhos devastados, mas lido

- valter hugo mãe, o apocalipse dos trabalhadores
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Sarandon
domingo, 23 de agosto de 2009
Lido

dizia o meu pai, a voz das mulheres só sabe ignorância e erros, cada coisa de que se lembrem nem vale a pena que a digam. mais completas estariam, de verdade, se deus as trouxesse ao mundo mudas. só para entenderem o que fazer na preparação da comida e debaixo de um homem e nada mais.
- valter hugo mãe, o remorso de baltazar serapião
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Ela não existe

Sempre que pensas nela, sorris, porém, depois da humilhação, não há nenhuma hipótese de reerguer a casa. Pensas: tenho a coragem necessária, tenho os meios, é só pegar no telefone, marcar os números e falar. Ganhas coragem. Respiras. O oxigénio a entrar. Os pulmões cheios de ar. Os dedos tocam nas teclas do telefone e insuflam-se de energia. Desligas o pensamento. O apito do telefone vibra-te na testa, acerta-te com estrondo na pele e rasga-ta. É o pretérito perfeito a voltar ao presente. És o coveiro com a pá na mão a desenterrar o morto. A pá a escavar cada vez mais fundo até bater no caixão. O receio de encontrar o cadáver. Desenterra o cadáver. A cara do morto. O som do telefone no ouvido a fazer eco no cérebro transformado em vale do silêncio. Esperas por uma voz. A voz que não atende e que traz ansiedade. Dizes: atende, atende, atende rapariga dos cabelos encaracolados, faz-me o sorriso da adolescência e garante-me, nem que seja por apenas cinco minutos, a felicidade, não te negues, acorda e atende. O passado não atendeu o telefone e, por isso, consideras que de nada valeu o esforço que fizeste para reactivar os nós antigos. Sempre que pensas nela, sorris, mas agora choras, enervas-te, enfureces-te contra a nojenta da fêmea que não te atendeu a chamada. Ainda bem que existe a ira, pensas, sempre me impede de voltar a fazer tristes figuras. A ira que te leva a procurar todas as mulheres e a levá-las para a cama. O desejo de apagar uma humilhação que só tu conheces, uma vergonha interior que mais ninguém vê, mas que te inibe, que te faz sentir inferior. Todas as mulheres que vês na rua são presas fáceis para uma língua mentirosa. Aproveita a ira para manipular. Uma mulher. Cama com ela. Outra vez. Cama. Fúria na almofada. Estrondo na face. Cuspidela na tromba. Adeus, boa noite, passe bem. No peito que havia saudade surgiu a ira. Amanhã, voltará a saudade. Pegarás novamente no telefone. O número dela como grãos de areia nos teus olhos. O som do telefone. Um toque, dois toques, mil toques, cem mil toques, dez milhões de toques. A cera da vela derrete para cima da mesa, a luz apaga-se, e estás sozinho na sala, abandonado. Tens o telefone na mão. Preparas-te para tentar falar com ela. Uma epifania: não vale a pena, é escusado, mesmo que fales com ela, sentir-te-ás sozinho. Ela nunca existiu. Sentias-te apaixonado mas ela era apenas uma imagem, qualquer coisa que imaginaste. Ela não existe. Ouve. Ela atende e a voz não te diz nada.
Adjectivação
- Ruben A., Páginas VI
O bicho não gosta da crítica literária portuguesa. Quando compra uma revista e a desfolha à procura de um bom texto, dá de caras com a maldita superficialidade do crítico (um cada vez mais jornalista). O bicho gostaria de mandar para um gulag siberiano todos aqueles que, para escreverem sobre um livro, se agarram à adjectivação. Para ele, seriam banidas expressões como «incontornável», «lufada de ar fresco», «pedrada no charco» ou «agradável surpresa».
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Situação 4 - a embófia na literatura de viagem
Depressão
- Ruben A., O Outro que Era Eu
terça-feira, 18 de agosto de 2009
A personagem e eu

- Bernardo Carvalho, Mongólia
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Situação 3
sábado, 15 de agosto de 2009
Situação 2

O bicho passou muitas horas a transpirar durante a noite, dormiu muito pouco, quase nada. Tem olheiras, viu muita televisão, bebeu muitos cafés, leu muitas páginas de um livro assaz aborrecido.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Ilusão. Desilusão
2. Sem ilusões, não tens motivos para viver. Sem desilusões, não podes ser sábio.
3. Ilude-te quantas vezes quiseres. Tira muitas conclusões depois de cada tombo.
O Luís Ene acrescentou:
Ilude-te sempre que puderes, pouparás muitas desilusões.
Desilude-te sempre que puderes, pouparás muitas ilusões.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Para os apreciadores de epifanias:
- Ruben A. , Júlia
Para as vítimas da maldição de Jorge de Sena
(...)
Luís de Camões: As pessoas não estão preparadas para receber os génios. Há sempre ciúmes, invejas.
- Ruben A., Triálogo
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
não imaginas
ficou vazio depois de partires. o teu sorriso existia
ainda dentro de mim, mas já não eras tu. era a tua
imagem.
não penso para onde foste porque o meu peito, sem
ti, fica atravessado por lâminas. tenho um silêncio
dentro. toco os sítios onde estiveram as tuas mãos.
sinto o que sentiste.
fico acordado de noite, com a esperança secreta de que possas regressar.
- José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão
Página 136
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Página 134 e gaveta
A carta dela
Não é hoje. Uma voz de velho ligou-me dizendo que a tua chegada foi adiada. Perguntei porquê. «Informação confidencial», respondeu-me a voz. Desesperei. A voz ainda me tentou confortar: «Se não for hoje, será amanhã. Ainda esta semana estará com ele.» Quando desliguei o telefone, gritei histericamente. A vida é injusta. A vida é cruel. A vida mete nojo. Que nojo que mete. Fiquei rouca. Deitei-me na cama, mordi uma almofada, atirei o frasco de perfume que acabara de comprar contra a parede. Manchei os lençóis com batom. Se não me tivessem garantido que virias, não teria criado expectativas. Acontece que me disseram que os teus dias de guerra tinham acabado. E reactivei a minha máquina de construir ilusões. É certo que continuam a dizer-me que virás. Deveria estar feliz, mas não estou. Cá dentro, não sei bem onde, há um bicho a roer, a assustar-me com maus presságios. A passagem dos anos não nos ensina muito, no entanto, sei que, quando se tem um pressentimento, o melhor é dar-lhe atenção. Sentimos o mal à distância e, embora o reneguemos, ele acaba por impor-se. Talvez seja tudo imaginação. Os medos. Nos últimos tempos, acordei muitas vezes em pânico por ter sonhado com a tua morte. Pesadelos a mais. Pesadelos que não me ajudaram a ficar sã. Um copo de água ajuda. Os comprimidos. Só dois para dormir. Para sonhar. Para ter pesadelos com a tua morte.
domingo, 9 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
A carta dela
Aprontei-me para a tua chegada. Comprei o vestido mais caro de uma loja chiquíssima. Comprei batom, verniz e perfume. Já não sabia o que era ser mulher. Vivi fora do presente durante demasiado tempo. Fui engolida por uma baleia e deixei de ver com nitidez. A lucidez abandonou-me. Os navios rasgavam o oceano, eu ouvia-os, mas não sabia como tocar neles. Os meus olhos não ultrapassavam a barreira. É o momento de me pôr bela. Vejo as crianças que brincam na rua com um sorriso. Falo com os vizinhos, dão-me os parabéns por ter ressurgido das trevas. Se eu era o navio e tu o capitão, não fazia sentido ir ao fundo sozinha. Fico ansiosa. Que palavras te direi? Sou muito tímida, especialmente, na tua companhia. A teu lado, sou uma rapariguinha, não abro a boca, coro com facilidade. Ensinaste-me tudo. Antes de apareceres, era uma saloia, não sabia nada. Pegava em livros para adormecer. Aprendi a ler na tua cama. Os teus livros agarraram-se-me para sempre aos dedos. Não foi apenas isso. Cresci. Dizias: «Respeita-te.» E eu respeitei-me. Ensinaste-me a ver o pôr-do-sol. Sei captar a beleza de uma tarde chuvosa. Antes de ti, não havia amor. Agora, dou lições sobre a matéria. Primeira lição: comprar muitos lenços. Segunda lição: chorar. Terceira lição: a relação não depende de mim. Quarta lição: as doses de sofrimento são equivalentes às de alegria. Quinta lição: é preciso saber esperar. Sexta lição: no corpo mais saudável esconde-se a doença. A lagarta esconde-se dentro da maçã vermelha. O beijo traz uma ferroada.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Não gostar deste mundo
Por um lado dá-me uma grande tranquilidade, porque não gosto muito deste mundo e suponho que isso sucede a todos os velhos, não gosto muito deste mundo normativo em que vivemos.
Vasco Pulido Valente em entrevista ao i.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Levar a pancada e levantar
- Ruben A., O Mundo à Minha Procura II
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
A carta dela
Para evitar revoltas
domingo, 2 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
Two Lovers (2009), James Gray

No que fui já mal me reconheço
- Camilo Castelo Branco, O Romance dum Homem Rico
