quarta-feira, 30 de junho de 2010

Elogio histórico

X foi tudo o que na vida quis ser.

terça-feira, 29 de junho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Portnoy's Complaint - " Era só o meu 4º livro"

Falhar 2

Não é falhar, é não chegar a, cair antes do início.

domingo, 27 de junho de 2010

Dor

Dor : do neurónio à pessoa. Pena este ser o título de um livro de Medicina.

Bem dito

sábado, 26 de junho de 2010

Falhar

Aproveitar as capacidades no escuro. Falhar.

Banalidades

Encarregue de escrever um texto sobre O Complexo de Portnoy, um crítico literário do suplemento Ípsilon diz coisas ao alcance de poucos:

«O romance é pouco convencional no sentido em que não está construído de forma a que o leitor alimente expectativas em relação ao final.»
Isto é hilariante porque, seguindo este raciocínio, diríamos que os romances convencionais são aqueles em que os leitores alimentam expectativas em relação ao final.

«Mais que tudo, estamos na presença de um livro cheio de defeitos (é histérico, farsola, cheio de "clichés" e de psicanálise de alpaca), mas que não só transforma uma boa parte desses defeitos em qualidades (...)»

Interessar-me-ia saber onde o crítico encontra estes defeitos. Principalmente, a parte do farsola e da psicanálise de alpaca. Sempre gostei muito de gente que, em vez de interpretar um texto, pega em meia dúzia de rótulos que dizem tudo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

La ley del deseo (1987), Pedro Almodóvar

terça-feira, 22 de junho de 2010

Iris Murdoch

Quando não te vejo, não existes.

Ainda bem

«Ainda bem que podemos pegar numa faca e rasgar os pulsos», murmurou o homem, envergonhado e pouco confiante nas suas palavras.

Alice (1990), Woody Allen

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tudo o que eu tenho trago comigo, Herta Müller



Já está disponível, no Orgia Literária,  o meu texto sobre o livro de Herta Müller.

Homem evoluído

EPIKHÓDOV - Sou um homem evoluído, leio livros diversos e maravilhosos, mas nunca mais consigo compreender qual é a minha tendência - o que, propriamente falando, me apetece mais: viver ou matar-me a tiro; para o que der e vier, trago sempre o revólver comigo. Cá está ele... (Mostra o revólver.)

- Anton Tchékhov, O Ginjal

domingo, 20 de junho de 2010

Vida adulta

ANDREI - Porquê, mal começamos a viver, nos tornamos aborrecidos, cinzentos, desinteressantes, preguiçosos, indiferentes, inúteis, infelizes...

- Anton Tchhékhov, Três Irmãs

sábado, 19 de junho de 2010

Grizzly Bear - Ready, Able [Official Music Video]

Mujeres al borde de un ataque de nervios (1989), Pedro Almodóvar

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Disse o barbeiro enquanto me esfregava o álcool no pescoço:

«Acolhido por Deus e pela terra fria.»

James Wood at the NYS Writers Institute in 2008

Pão nosso

ELENA ANDRÉEVNA: Hoje o tempo está bom...Não está calor...

Pausa.

VÓINITSKI: Tempo bom para a pessoa se enforcar...

- Anton Tchékov, Tio Vânia

Não vale a pena

A vida não vale a pena. Disse ele. A vida é muito triste. Morrer velho para quê. Perguntou à velha. A vida é muito vazia. Melhor não nascer.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Johnny Guitar (1954), Nicholas Ray

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Interdição dos jogos

Reparo que num dos bares da Faculdade de Letras de Lisboa está afixado o seguinte aviso: «Entre as 11:45 e as 14, e sempre que necessário, a sala, é para uso exclusivo do serviço de alimentação e bebidas, adquiridas no nosso espaço. É completamente interdito, qualquer jogo.» Para além do terrível português (o emprego das vírgulas vai beber muito ao dadaísmo), o que se pode destacar deste aviso é a interdição de jogos. Se o gerente do bar interditasse a leitura, compreenderia mas não muito, porque, como se sabe, aluno de Letras que se preze nunca abriu um livro. Mas proibir «jogos»? O que se faz em concreto naquela faculdade? Joga-se à apanhada? À bisca?

O melhor começo

MEDVEDENKO - Anda sempre de luto porquê?

MACHA - Estou de luto pela minha vida. A minha vida é uma desgraça.

- Anton Tchékhov, A Gaivota

domingo, 13 de junho de 2010

The Man Who Shot Liberty Valance (1962), John Ford

Volver (2006), Pedro Almodóvar

sexta-feira, 11 de junho de 2010

As Irmãs de Gion (1936), Kenji Mizoguchi

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Apanhado

Foste apanhado. Quando se descobre a verdade, cai a guilhotina. O crânio a rebolar. Descobre-se a verdade e, de face inchada (de inchaço de porco), pede-se clemência. Que esqueçam o crime praticado conscientemente.Perdoar a traição planeada e repetida. A dura verdade. Pouco a fazer para além de rezar. Piedade de nós e de todos. Insistir no chamamento do irracional. Baba e ranho na proclamação da fé. Piedade de nós. Responder à pergunta do como foste capaz de trair. A verdade é uma faca espetada no teu estômago. Foi um erro, não se voltará a repetir. Toda a piedade de nós. Foi a última vez.

Vidas



A primeira coisa que se nota, ao observar o actual primeiro-ministro, é a opacidade do seu olhar. Por que motivo terá ele medo que alguém penetre na sua alma?


- Maria Filomena Mónica, Vidas

terça-feira, 8 de junho de 2010

Who Taught You To Hate Yourself?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Não é preciso procurar

«...Toda a gente está essencialmente só». dissera-lhe, e ele começava a ver que era verdade.

- Richard Yates, Jovens Corações em Lágrimas

domingo, 6 de junho de 2010

Parte, quebra

Sei que gosto mais de ti do que tu de mim. Nunca me incomodei com isso, mas sei-o desde o início. É a minha paciência que sustenta a relação. A minha voz enjoa-te, não te atraio, evitas-me. Pode ser exagero, que seja, do aborrecimento não passo. Vivemos juntos e sei que poderias viver com outra qualquer pessoa, que seria parecido. Desde que mantivesses o teu pequeno espaço ou que tivesses comida, poderias abdicar de mim. Não te peço amor, que isso não se fabrica com trabalho. A tua afeição chegava-me, mas deixou de haver afeição. Queres partir? As portas estão abertas, apanha o primeiro táxi e desaparece. Não quero reconquistar-te. Não tens esse tempo. Nem sei bem o que tens de fazer para que as coisas voltem a funcionar, para que nos consigamos relacionar mesmo sendo eu quem carrega o enternecimento. Há algo que podes fazer. Sair-me da frente.

sábado, 5 de junho de 2010

Laura (1944), Otto Preminger

Fortalece

O que não mata fortalece. Incluamos, porém, na lista das coisas que matam coisas que normalmente pensamos que fortalecem.

Estado da arte

Questões a responder:  O que te levou a fugires? Era feio, já não te satisfazia? O que fazes agora? Com quem falas agora? Com quem dormes agora? É melhor do que eu? Foi melhor assim? O que pensas de mim? O que te aborrecia tanto em mim?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ghost Dog: The Way of the Samurai (1999), Jim Jarmusch

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Point of no return

Ele disse-me que a rapariga tinha vinte anos, que talvez fosse nova demais, que gostava de menininhas, mas era mais de conversa. A realidade é que ela tinha vinte e ele vinte e seis. O peito encheu-se-me de angústia. Para nós, que ainda há pouco falávamos das férias grandes , uma de vinte já é nova.

Perto da Felicidade

«Oh, meu Deus - disse ele várias vezes, muito baixinho - Oh, meu Deus, bati na minha mulher.» E cada vez que disse aquilo teve de olhar rapidamente em volta do bar para ter a certeza de que ninguém tinha visto os seus lábios mexerem; então voltava com gratidão à cerveja.

- Richard Yates, Cold Spring Harbor

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fundo sem fim



O erro do costume. Não esquecer. Permanecer, como uma estaca na rocha, agarrado às sombras. Não esquecer as unhas da mulher cravadas nas minhas costas, o sorriso prazenteiro e o cheiro, o cheiro, cometer o mesmo erro, alimentar um tempo que acabou, o cheiro dela no meu nariz, perfume, suor, sorriso, unhas cravadas nos ombros. Esquece-a. Os joelhos no calhau, a testa no calhau, o ar de súplica, que a esqueça. Sentimento insuportável. Ácido nas veias. Tenho um buraco. Um fundo sem fim.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A arte de julgar

Rodeou-se, assim, no seu apagado exílio luso, de um pequeno séquito de medíocres, exceptuado o caso do poeta Carlos Queiroz.

- João Medina, Ortega y Gasset no Exílio Português (1942-1955). O filósofo espanhol no "reino cadaveroso” de Salazar (com um excurso sobre a lusofilia de Miguel de Unamuno)