sexta-feira, 29 de maio de 2009
Portnoy's Complaint
As Portnoy matures--at least chronologically--he desperately wants to tear off his American-Jewish hair shirt, to let go, to live a life without mother and father, a sex life free and unfettered, without guilt, to be bad in other words ("Because to be bad, Mother," he apostrophizes, "that's the real struggle; to be bad--and enjoy it! That's what makes men of us boys, Mother. . .LET'S PUT THE ID BACK IN YID!"). But instead he finds--or his analyst does--that "neither fantasy nor act issues in genuine sexual gratifications but rather in overriding feelings of shame and the dread of retribution, particularly in the form of castration."
Interpretação
2.Um homem atira-se à água. Ou atiras-te para salvá-lo ou abandona-lo à sua sorte. Os caminhos são dois. Provavelmente, escolherás o pior dos caminhos, por conseguinte, diga-se: os caminhos são dois mas as consequências são mil.
3.Para alcançar a fama, não basta matar a porteira do prédio. É também preciso esperar que mais ninguém se lembre de matar outras porteiras.
4.Os amigos facilmente nos empurram para o suicídio, porém, a verdadeira ameaça vem dos pais, portadores da «palavra-bala».
5.O Senhor precisa de me cortar a cabeça para, a partir daí, me tornar livre. O castigo traz liberdade.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Ausente, distante
terça-feira, 26 de maio de 2009
O tempo
- Almeida Faria, A Paixão
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Prisão do Ético
valter hugo mãe escreveu um texto sobre A Prisão do Ético no PNETliteratura que me fez corar de contentamento.
Método Jack Nicholson

- Peter Biskind, Easy Riders, Raging Bulls
Pugilista 2
Pugilista
sábado, 23 de maio de 2009
Artigo meu no Jornal de Letras
quinta-feira, 21 de maio de 2009
O real
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Deixa-me, caçador
O animal perseguido corre mas não escapa às garras do caçador que o persegue. Encolhe-se dentro da toca. Ao caçador basta esticar o braço para puxá-lo. Não corras, animal, que foste apanhado. Quantas vezes precisa o animal de fugir? O oxigénio fora dos pulmões. Vem energia, faz-me descansar para continuar a correr. O caçador vem a caminho. O furacão. Persegues-me, caçador, e não sei que possa fazer para me deixares em paz. O caçador aproxima-se. Ágil, o vilão. Não me apanhes. Escondo-me na toca. O buraco de lama. Não há hipótese. Escapa-te. Perdi o autocarro mas não me culpes por tudo. Aquilo que se perdeu não foi menos do que aquilo que se ganhou. Ganhou-se muito. Uma vitória de cada vez. Deixa-me ir, caçador, não te voltarei a desiludir. A tua mão no meu lombo. Magoas-me. Os erros do passado não foram esquecidos. As consequências. Funestas consequências. Castiga-me. Bate forte. O caçador cada vez mais perto. Bicho parvo, esfolo-te vivo. O aperto na gravata. Os momentos bons não existem. A toca escura e os dedos que descem ao pouco até tocarem na testa da vítima. O castigo. A justiça apanha-te sempre, e é dura, tão dura, que te bate como se fosses imune a qualquer dor. Morde as ervas, morde-as, bicho feio. A culpa vem, acerta-te em cheio. O caçador com a presa degolada. O sacrifício de um é a salvação de todos. A família janta.
terça-feira, 19 de maio de 2009
A carta dela
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Nº 14 Minguante

Já está no ar o último número da revista Minguante, com a minha entrevista, o meu texto e um artigo sobre o meu livro. Tudo motivos para lerem a revista.
O Velho corre de um lado para o outro, sem saber para que lado se virar, como se fosse um ratinho branco de laboratório a querer fugir da experiência que lhe está a ser impingida pelo cientista. As bombas caem dos aviões. As paredes da casa desmoronam-se. O fumo espalha-se pelo ar. O Velho engole poeira, tenta proteger as vias respiratórias com a camisola, olha para a casa que vai abaixo. O tijolo que se parte arrasta para o fundo do mar toda uma história. O passado que desaparece, as memórias que se começam a perder, as fotografias que ficam cada vez mais despovoadas de paisagens. As paredes são agora montes de entulho. Deixou de haver alguma coisa para lembrar. Ajoelhado, sentindo pena de si próprio, o Velho cobre a cara com as mãos, pensa em todos os seus sonhos, em todos os projectos da juventude, e grita: «O fim é agora.» A bomba ainda não lhe caiu em cima mas o Velho já se encontra de braços abertos à espera do explosivo que lhe trará paz.
Ele não chega
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Crescimento
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Amordaçar o animal
Enlaço na morte
- Virginia Woolf, Mrs. Dalloway
quinta-feira, 7 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Dicionário do Diabo

Boca, n. No homem, é a porta da alma; na mulher, é a saída do coração.
Liga, n. Uma fita elástica que impede uma mulher de sair das suas meias e devastar o país.
Nascimento, n. O primeiro e o mais terrível de todos os desastres.
- Ambrose Bierce, Dicionário do Diabo
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Saudades do futuro

Nunca sabemos qual é a última vez que estamos com uma pessoa amada (e é pouco patriótico lembrar que, apesar de tudo, Deus dá-nos uma boa ideia) e talvez seja essa incerteza que nos leva a despedirmo-nos constantemente dos que amamos. Aposto que portugueses e brasileiros ouvem o Besame Mucho de uma maneira diferente. Para nós, o cantor não está a ser engatatão e a pedir que seja beijado como se fosse a última vez. Não - para nós, pode bem ser a última vez.
- Miguel Esteves Cardoso, A Minha Andorinha
domingo, 3 de maio de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Dou-te o guarda-chuva
Uma criança de sete anos pode fazer tudo. Chega tarde a casa por não ter sentido de responsabilidade. Rasga as roupas a brincar no rio por não saber como manter o tecido imaculado. As meninas ainda não estão na idade de saber o que é o pudor. Brinca-se aos médicos e aos enfermeiros. A mão do rapaz não se coíbe de apalpar a nádega da rapariga. A nádega ainda não é uma nádega de mulher. É um prolongamento do berlinde, de uma maneira de brincar. A época da inocência é muito liberal. Todos os sonhos são possíveis. O corpo da menina é uma extensão do jogo da apanhada, das escondidas, dos polícias e ladrões. Chega-se à mesa com as unhas sujas, com as calças marcadas pela bola enlameada. O pai diz: «Vai-te lavar.» A torneira de água quente deixa cair o líquido que livra a pele dos micróbios. Os malvados desaparecem. A criança regressa à mesa e depara-se com um prato de sopa de legumes. Torce o nariz. Recusa-se a engolir a refeição que tanto trabalho deu à mãe a confeccionar. «Come, se não queres ficar de castigo durante duas semanas», avisa o pai. A contragosto, a criança enfia a sopa no estômago, e jura que, apesar de o obrigarem a comer o que não quer, ainda reserva para si o direito de não sentir o sabor da comida. «Não hei-de tocar com a língua na sopa», pensa. A criança pode ser casmurra porque está na idade de o ser. Os adultos perdoam-lhe tudo. A infância oferece a beleza, a pureza, a felicidade e a eternidade. Tudo se esquece porque a criança é bonita e promete ser inteligente. A criança acorda de manhã e diz à mamã que quer ir à praia, que quer viajar, que quer os três meses de férias do Verão para sempre, que quer uma camisola nova, que quer um irmão. A mãe promete o universo: «Tudo, meu filho, para que sejas feliz, para que não te cresçam rugas na testa como me cresceram a mim. Olha para as minhas rugas, tão feias que são. Tu não terás rugas, meu príncipe, meu futuro cirurgião, médico, advogado. Para ti só o melhor, nada mais do que o melhor.» A criança sente-se protegida. Dá para recusar a sopa do jantar quando se tem sete anos. Recusa-se a salada. O tomate é amargo. A cenoura traz alergia. Só se come o bife. Saborosa, a carne grelhada aconchegada na barriga do menino. Os sete anos oferecem a possibilidade de sonhar. Dá para ser cirurgião, atleta, condutor de naves espaciais. Há uma eternidade para sonhar. Três semanas para pensar nas palavras que se poderiam dizer mas que acabarão por ficar guardadas na imaginação. A menina vai dizer que não. O menino quer namorar com ela. As palavras na gaveta. A infância vive no templo dos deuses. A imortalidade. «Gosto de ti para sempre.» As horas não se esgotam, os desejos multiplicam-se por números infinitos. Um menino de sete anos pode ser parvo. Ninguém o levará a mal por ser parvinho. «Coitadinho, é tão inocente.» A mamã e o papá, quais ursos na caverna, protegem o filhote da intempérie. «Não apanharás frio, meu pequeno, nem que sejamos obrigados a roubar. Não te preocupes, pequeno, não te faltará nada.» A criança é mimada. Não come a sopa, brinca com os amigos até às horas que quer. Mas agora há a guerra, o mundo cruel onde os adultos se matam uns aos outros para sobreviverem. Agora, a criança é crescida, passa fome e não sabe da mãe.
Carrascos
Carrasco II: Por mim, matávamo-lo.
Carrasco I: Evitaríamos burocracias.
Carrasco II: Matemo-lo.
Carrasco I: Não consigo.
Carrasco II: Porquê?
Carrasco I: O tipo parece inofensivo. Aquele aspecto raquítico.
Carrasco II: Já não o queres matar?
Carrasco I: Prendamo-lo.
Carrasco II: Também não o queria matar.

