quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Da mentira
terça-feira, 29 de setembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Eat Yourself
Se pudesse voltar atrás, mudaria tudo. Quando me perguntaste se me arrependia de algo, disse que me arrependia de tantas coisas que antes valia fingir contentamento. Nunca mais te vi. Seguiste o teu caminho e eu o meu. Recordo aquilo que desapareceu. O que fazemos quando nos sentimos enjoados de nós próprios? Se vomitar fosse a solução, passaria as manhãs agarrado à sanita. O nojo não descola. Os meus herdeiros não precisam de saber o nome do pai. Refugio-me na caverna para fugir da luz. O bicho a olhar para a mulher enterrada. O esquife de papel vegetal que o bicho tenta rasgar com as garras. Digo o teu nome, Eva. Voltemos ao momento em que cravaste o punhal no peito. O tempo contado ao contrário. As sombras falam, têm uma cara de mulher que diz repetidamente: «O fim não era aqui.» Dez anos contigo são dois minutos. Mesmo que tivéssemos partilhado um milénio inteiro, não teria chegado. Sei que muito mudou mas, se tivesse uma bicicleta, acompanhar-me-ias num passeio pelo campo? Rebolar no feno depois de roubar os cachos de uva da vinha do senhor que persegue jovens insolentes com uma enxada. Mastigar as uvas com o sol a bater na cara e cuspir os caroços. O mármore é pesado. Custa desenterrar um cadáver. A marreta não parte a pedra. O mármore fere as mãos. A testa não parte a pedra.
Não perdoar
não somos capazes
aos pais não se pode perdoar
O crime de termos nascido
não se pode perdoar
- Thomas Bernhard, Simplesmente Complicado
Esquece o resto
Barton Fink (1991), Joel e Ethan Coen

Ele tentava ajudar as pessoas encurraladas com tiros de espingarda na testa.
domingo, 27 de setembro de 2009
Tudo é tão mau

MÃE
Mas afinal estamos sempre a ter ilusões
Não acreditamos que tudo é tão sem esperança
que tudo é tão mau
Partimos sempre do princípio que tudo não seja tão mau
mas a verdade é que é
Pense as pessoas morrem
porque tudo é tão mau
porque a natureza é assim tão má
ESCRITOR
É o que eu digo na minha peça
as pessoas morrem porque tudo é tão mau
- Thomas Bernhard, No Alvo
Indivíduo isolado
O indivíduo isolado
por mais que tenha razão
perde qualquer processo
- Thomas Bernhard, Minetti
Se estas palavras forem certeiras, terei de arranjar amigos.
Feiras
sábado, 26 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
As cartas
Todas as noites
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Partir a parede
O bicho queria comentar o momento político. Interessava-lhe falar sobre um grupo de jovens manifestantes do partido do «não ao desodorizante e ódio aos banhos». Mas sente-se triste. O estômago dá voltas e só lhe apetece esmurrar a parede com a testa, a ver se parte os tijolos com uma força que parece não chegar para vergar o destino.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Pensa demais, logo, é perigoso
Só quero à minha volta homens nédios e luzidios,
E que durmam toda a noite.
Aquele Cássio tem um aspecto magro e esfomeado.
Pensa demais. Homens assim são perigosos.
(William Shakespeare, Júlio César)
Como vai a vida?

Quando voltarem a perguntar-lhe como vai a vida, o bicho ajoelhar-se-á no chão, abrirá a arca dos gritos profundos e dirá que não, que a vida não vai nada bem, que é uma miséria, que precisa de muitos mimos.
Das horas de cama em falta
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Lagartixa
Subversão na Avenida 5 de Outubro
domingo, 20 de setembro de 2009
A bola
sábado, 19 de setembro de 2009
A morte do pai mau
A RTP 2 transmitirá esta noite o genial Magnólia. Nunca nenhum actor chorou melhor do que Tom Cruise neste filme.
Nihilismo
- Padre Manuel Antunes, Obra Completa, Theoria: Cultura e Civilização, Volume III Filosofia e Cultura
Eu digo que vivo no século XVI. Alimento-me de analogias e pretendo decifrar um texto imenso que tem um sentido misterioso.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Não a encontras

Seguir o link para ver mais imagens.
Houve uma noite em que ela se fartou e partiu sem dizer para onde ia. Ele ocupou os dias com actividades que não o fizessem pensar num sorriso de mulher numa tarde de calor. Mas os trovões são rápidos e, quando acertam na árvore, racham-na ao meio.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
As derrotas
Telefone Mudo 2
Atendo todas as tuas chamadas, dando-te silêncio em troca de silêncio. Não pergunto quem é, não suspiro. Quando acordo aborrecido, como hoje, desligo o telefone para que percebas que o meu humor não é dos melhores. No dia seguinte, já com o aparelho ligado, volto a ouvir a tua voz que não fala.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Telefone mudo
Uma pessoa liga-me todos os dias à mesma hora. Não fala mas sei quem é. Também não falo mas a pessoa sabe que sou eu quem está do outro lado da linha. Com o tempo, as nossas conversas acabaram por se resumir a isto: duas bocas fechadas a tentar ouvir uma voz que morreu.
Padrinhos
- Eça de Queirós, O Primo Basílio
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Miami Vice (2006), Michael Mann

Colin Farrel aparece todo pintarolas e canastrão mas não chega aos pés de Don Johnson (se calhar, chega).
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
'You Cheated Me'
Ela vai dançar com outro. Não a beijarás. A cabeça dela encostada ao ombro dele. Ela dizia às amigas que era contigo que queria casar, que eras o tal, o escolhido. Mandava-te cartas dizendo que não aguentava a distância, que queria ter-te por perto. A traição traz impotência. A imagem dela no ombro do outro não desaparece. A vingança não elimina o sofrimento. Se viesses a descobrir por terceiros que eras enganado, poderias atirar areia para os olhos e dizer: «Perdoo-a.» Se não tivesses assistido a nada, negarias tudo para abraçá-la. Estás no baile. Ela vai dançar com outro. Um outro que atinge o estatuto de inimigo número um. Rival a abater. A boca dela no pescoço dele. O queixo barbudo dele na maçã do rosto dela. Contemplas a cena e não podes negar. Vês a satisfação na cara dela. É com muito gosto que aquela que te prometia o mundo te trai. Procura soluções para evitar o pânico. O remédio é colocar algodão nos ouvidos para evitar a cantiga do ladrão, pregar uma mola no nariz para fugir do cheiro, tapar a boca para que o fruto mais apetecido não queira atacar com os lábios, fechar os olhos para que a visão da cama não impeça o cérebro de funcionar. Queres dançar com ela. O ciúme é forte. A raiva junta-se à mágoa. A vontade de matar confunde-se com o desejo de morrer. Ela olha para ti. Pensas: quero matar-te, quero matar-te. Ela avança para ti. Pensas: quero morrer, quero morrer. Ela põe os braços à tua volta: afasta-te, não quero, não prestas, fazes-me mal, deixas-me triste. O cheiro da carne dela enfeitiça-te: esqueço tudo, não vi nada, só tu importas.
Um livro a evitar

- Há falta de método;
- O autor pronuncia-se sobre diversas temáticas sem nunca explicar/aprofundar;
- A abordagem é superficial. O que é isto? Era bonita, Maria, mas a mais bela das irmãs era decerto Maria Benedita. E isto? Maria acabará por ter um casamento feliz e enternecido com o seu tio Pedro;
- A escrita é demasiado coloquial (por exemplo, a omnipresença das reticência leva a que qualquer um perca a paciência);
- Várias das questões tratadas são irrelevantes (não vale a pena dizer que o Iluminismo foi isto ou aquilo);
- Passa ao lado da história política, da cultura, da economia, da sociedade, etc.
domingo, 13 de setembro de 2009
Primo huno
Bola
sábado, 12 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Império à Deriva

A queda do velho
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
You must not forget anything
Escolher a morte

No hospital, Philip Roth emociona-se perante o pai moribundo:
(Patrimony)
Um filho cuida de um pai doente
- Philip Roth, Patrimony
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Cefaleia
domingo, 6 de setembro de 2009
Adjectivos bons
«Tudo o que o rei pensava, tudo o que tentava fazer, caía sistematicamente nas mãos adormecidas e peganhentas dos seus Ministros.»
sábado, 5 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A ler

Na imagem da capa deste livro, Philip Roth é um menino muito pequeno (4 anos) que não imagina que, dali a muitos anos, terá de acompanhar o pai de 86 anos até ao caixão.
What cemeteries prove, at least to people like me, is not that the dead are present but that they are gone.
Loulé
Loulé iniciara a sua vida como militar, mas jamais se destacara no campo de batalha. Durante a Vila-Francada (1823), acompanhara D. Miguel, de quem depois se viria a separar, tendo-se exilado, em 1828, em Inglaterra. A sua juventude ficara marcada pelo assassinato do pai, em 1824, pelos esbirros de D. Miguel. Uma vez no exílio, optou pelo campo liberal e, dentro deste, pela sua ala esquerda. A seguir ao termo da guerra civil, foi, por várias vezes, ministro, em pastas onde não deixou marca. Aderiu vagamente à «Revolução de Setembro», tendo-se seguido uma década de apagamento, o que lhe valeria uma fama de indolência. Ainda apoiou a Patuleia, mas o gesto esgotou-o.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Epidemia
Biblioteca
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Viciante

Dando continuidade a uma corrente, o Samuel Filipe considerou este blogue «viciante». Embora não seja fascinado por estas coisas, como provavelmente ninguém será, acho que os blogues ganham força quando comunicam uns com os outros. Aqui ficam as minhas dez escolhas:
- Memento (escrita mastigada mas de leitura rápida e, por isso, viciante);
- Os blogues que o J. L. Bértolo vai fazendo e apagando, com particular destaque para o Mictório Luzidio (não só gosto de seguir a depressão dos outros, como gosto de quem gosta de Godard e de Kar-Wai);
- casa de osso . Basta dizer que todos os dias lá vou ver fotografias da América, país que idolatro.
- Ene Coisas . O blogue deste grande sujeito.
- Desesperada Esperança . O blogue de um amigo que não gosta mesmo nada de correntes e que me faz temer pela vida.
- meia-noite todo dia. Nem sempre concordo mas fico sempre agradado com a irritação.
- Esse Bandido . O vício de falar de escritores que acabaram mal.
- Alter, o ego. Acima de tudo, os textos românticos.
- Meditação na Pastelaria.
- Elefante Branco.
No fim, 3 objectivos ( a curto prazo) necessários para completar o ritual:
- Continuar a escrever.
- Continuar a ler até sair de casa ceguinho.
- Rentabilizar as insónias.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Desordem
- Philip Roth, Sabbath's Theater
Classifique-se a felicidade como uma desordem mental agradável.
Tardes

Everybody masturbates in libraries. That's what they're for.
- Philip Roth, Sabbath's Theater.




